Páginas

Mostrando postagens com marcador Matérias interessantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Matérias interessantes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Interagindo com cães medrosos

O texto e as dicas que vou postar agora é de Nicole Wilde e são muito importantes, não só quando vamos lidar com cães medrosos, mas com qualquer cão estranho, seja sociável ou não.




" 1. Deixe o cão vir até si. Se o cão está assustado, devemos permitir-lhe que decida se vai aproximar-se ou não. Não o restrinja ou o force a aceitar o contacto de outrem. Lembre-se da resposta instintiva de “luta ou fuga", se lhe retirar a oportunidade de fuga a escolha do cão só poderá ser uma.

2. Vire-se de lado. Estar frente a frente para o cão é mais intimidatório que ficar parcial ou completamente de lado, até virar apenas a cabeça de lado fará um cão assustado ficar menos ansioso.

3. Não fixe o olhar…por favor! Um olhar fixo e directo é muito conhecido por entre o mundo animal (e no Metro de Nova York!). É perfeitamente normal olhar para o cão, apenas suavize a sua expressão e não olhe fixamente directamente para os olhos do cão.
4. Não ande a pairar. Inclinar-se sobre um cão medroso poderá aumentar a sua ansiedade para um nível que se torne defensivo.

5. Acaricie o cão de forma adequada. Aproximar-se de cães através de carícias na cabeça é uma péssima ideia. Tente visualizar esta interacção do ponto de vista do cão, uma palma da mão a aproximar-se de cima pode ser uma coisa assustadora. Costumo fazer demonstrações com crianças para ensinar-lhes a acariciar apropriadamente os cães. A criança desempenha o papel do cão. Digo-lhe que a vou acariciar de duas maneiras diferentes, e ela dir-me-á qual delas é a mais agradável. Primeiro levo lentamente a minha mão em direcção à bochecha da criança e acaricio-a, sorrindo e dizendo “lindo menino”. Depois aproximo bruscamente a minha mão da cabeça da criança e dou umas pancadinhas repetidas e digo em voz alta “lindo menino, lindo menino” Os miúdos invariavelmente gostam mais da primeira opção. Se os cães pudessem responder por eles próprios, nove em cada dez diria que gostavam mais da primeira opção também. Não se trata de dizer que os cães não podem ser acariciados no topo da cabeça, mas essas pancadinhas não são um bom método para a aproximação inicial. É mais sábio fechar a mão e mantê-la virada para baixo por baixo do nariz do cão para que possa cheirar, depois faça umas carícias no peito do cão e vá gradualmente movendo a mão por um dos lados até à cara ou corpo do cão, se notar que o cão está a sentir-se confortável com isso. Não agarre bruscamente a coleira de um cão, qualquer cão.

6. Baixe-se, não agarre por cima. Os cães pequenos em particular são muitas vezes agarrados bruscamente de cima quando se quer levá-los ao colo para outro sítio. Movimentos rápidos, directos ao cão, por cima da cabeça são muito mais assustadores que movimentos lentos e indirectos. Para levantar um cão pequeno do chão, agache-se, acaricie o cão durante uns momentos e depois de forma gentil coloque as mãos por debaixo da barriga e do peito e levante-o.

7. Tenha atenção ao seu sorriso. Enquanto os humanos interpretam o sorriso como algo amigável, o cão pode não gostar muito de ver o sorriso colgate. Uns dentes espectaculares são, no fim de contas, também muito conhecidos no mundo animal. Uma amiga minha acompanhou-me uma vez numa visita aos lobos do centro de resgate. Ela sentou-se pacientemente no chão, sem se mexer. Finalmente um grande lobo preto aproximou-se para a investigar. Ela não se conseguiu conter e sorriu com todos os dentes da sua boca. O lobo saiu disparado como se ela tivesse tentado dar-lhe uma paulada. A lição? Guarde os sorrisos colgate para os encontros amorosos ou com outros humanos. Sorria a canídeos com a boca fechada!
Bons treinos! "

sábado, 8 de outubro de 2011

Comunicação (parte 3)

Depois de aprender como o cão se comunica por expressões corporais, vamos ver sobre o latido e os sons que  eles fazem, ou seja, sua comunicação sonora.

Cinco variáveis indicam ou modificam o significado sonoro na voz dos cães:

 1. Volume: alto, médio ou baixo. 


 2. Tonalidade: graves ou agudos. Essa variável depende também do porte da raça: cães pequenos têm o latido mais agudo e estridente, os de maior porte têm latidos mais graves.


 3. Tempo de duração: medido em segundos.  
  
 4. Número de repetições: de cada som. 
      
 5. Freqüência das repetições: espaço de tempo entre cada repetição. Os fatores que provocam essas variações são emocionais e os cães se expressam com latidos, rosnados, gemidos, suspiros, ganidos e uivos.



Latidos com intervalos longos "waof... ± 15”... waof... ± 15”... waof..." ± 15 segundos - o cão está pedindo algo: água, comida ou quer passear, abrir a porta para ele entrar ou sair. Às vezes depois de latir ele corre e para em frente à porta.


Latidos com intervalos médios “waof...3”... waof... 3”... waof..." - 3 segundos, com as orelhas para trás o cão está dando um alarme que algo estranho está acontecendo: um ruído estranho, alguém mexendo na porta ou passando de forma suspeita, um estranho se aproximando.

Latidos com intervalos curtos “waof, waof, waof, grrr, waof, waof, waof, grrr, waof, waof,", ininterruptos e insistentes, com rosnados intermitentes, exibindo os dentes, com as orelhas para trás - o cão está pronto para atacar em procedimento de defesa de territórios e entes queridos.

Os cães jovens utilizam um latido festivo, meio gritado, acompanhado de corridinhas em volta, para um convite à brincadeira. Esse tom é facilmente reconhecido e sem nenhum conteúdo agressivo ou provocativo.

Os cães podem latir por medo, em alguns casos, as orelhas ficam voltadas para trás, coladas no topo do crânio, seus pêlos dorsais sempre ficarão eriçados, ele recua e estarão prontos para fugir. Entretanto, esses  cães são perigosos no momento em que a ameaça se volta de costas. Se a ameaça for muito grande, poderão - sentindo-se em perigo de vida -  lançar-se ao ataque numa atitude derradeira de vida ou morte. É importante detectar estes sinais, se você não quer ser mordido!     

A utilização do latido, nesse caso, é uma tentativa extrema para demover o inimigo da luta e convence-lo da retirada. Diz-se que cão que late não morde.


Características dos latidos


Latidos de duração média, contínuos, em tonalidade moderada->grave - tentando alertar a matilha ou família para um estranho que se aproxima.

Latidos de duração média, contínuos, em tonalidade moderada->aguda, quase uivo - característica dos huskies e akitas, quando confinados por longos períodos.



Latidos curtos, contínuos, em tonalidade moderada - tentando alertar a matilha ou família que um estranho está próximo ou entrando no território.


Latidos curtos, contínuos, em tonalidade moderada, volume alto, sempre em presença do proprietário - manifestação de estresse, ciúmes e insegurança, diante de outros cães. 


Latidos curtos, contínuos, em tonalidade aguda, volume alto, exibindo parcialmente os dentes - tentando, com insegurança, assustar o agressor hierarquicamente superior.


Um só latido curto e seco, em tonalidade aguda - é uma forma de pedir ou de exigir algo. Pode ser repetido, caso a pessoa não atenda a solicitação, mas seu significado está contido neste único latido. Alguns cães usam o latido único curto e seco diante da porta tentando expressar sua vontade de sair ou em presença de um brinquedo ou petisco que deseja ganhar, ou ainda, pedindo para subir no sofá, poltrona ou na cama. Pode ser, também, um latido de alegria quando percebe que vai passear na rua. Nesse caso, fica agitado rodando e correndo em círculos e repetindo várias vezes.

Um só latido curto e seco, em tonalidade moderada->grave, volume bem baixo, normalmente terminando em suspiro (wáofffff !) - é um ensaio para iniciar o latido único, curto e seco, em tonalidade aguda.

Um só latido curto e seco, em tonalidade moderada->grave, volume alto, normalmente terminando em suspiro (wáofffff !) - é uma espécie de “chega prá lá!” ou “sai fora!”; tentativa de avisar que algo o está incomodando.

Um ou dois latidos curtos e secos, tonalidade moderada -
 chamando a atenção para si. Um modo de saudação
.

Seqüência de três ou quatro latidos curtos em tonalidade moderada e rápida sucessão, espaçados por curtas pausas - tentando alertar a matilha ou família para um pressentimento de estranho nas proximidades.

Latidos curtos, insistentes por longos períodos, com intervalos de moderados a longos -
 resultantes de solidão por longos períodos de confinamento. Procura de contato. Revelam necessidade de companhia.

Latido com balbucio inicial, em tonalidade moderada (arr...wáof !) -
 um convite à brincadeira. Normalmente, abaixa a frente mantendo as patas anteriores esticadas e encostadas no chão com a garupa alevantada. Como se estivesse dizendo: “Não me pegaaaa... lá, la, la-laaaaa”

Latidos emendados, sem intervalo, em tonalidade crescente - composto de uma série de latidos ininterruptos, semelhantes ao uivo, que revelam um estado emocional de estresse, muito medo, levando às vezes ao ganido e a urinar-se.

Latido grave, com repetição compassada, em intervalos moderados - característico de cães sabujos durante uma perseguição chamando a turma.

Latidos em seqüência, de duração média, tonalidade moderada->aguda, volume alto, emendados acompanhados da contração dos músculos orbiculares da comissura labial - como se ele tentasse pronunciar o “U”, revela insegurança. O cão faz biquinho, que às vezes, fica até bonitinho.



O Rosnar 

É sempre uma advertência! oóÓÓóoolha!!! O rosnado é uma forma de dizer que não está gostando da situação e, também, que se continuar vai morder.

Quando o rosnado é acompanhado da contração dos músculos orbiculares da comissura labial, como se ele tentasse pronunciar o “U”, revela insegurança.

Rosnadela abafada, com os dentes escondidos - revela que está começando a ficar irritado com a atitude do outro.

Rosnadela suave, grave, com os lábios esboçando exibir os dentes - 
suave ameaça. Normalmente o adversário, recua.

Rosnadela-latido em tonalidade grave - exibindo completamente toda a arcada anterior inclusive os caninos, revela um cão seriamente aborrecido, atingindo seu limite de tolerância, prestes a atacar. Às vezes, quando rosna latindo, o cão produz espuma na boca, dando a impressão de mais irritado.

Várias rosnadelas-latido em tonalidade moderada - 
característica de cachorros brincando de luta. Apesar de soarem como uma briga entre cães o resultado é sempre uma alegria da brincadeira e nada de grave acontece.

Rosnadela-latido trêmula em tonalidade média-aguda - tentativa de um cão, com sua autoconfiança baixa, de convencer o adversário a bater em retirada, caso contrário, partiria para a luta.

Rosnadela oscilante, mesclada com choro-latido - emitida por um cão de baixíssima autoconfiança em razão de uma agressão iminente.



Fonte: Texto adaptado de Saúde Animal



Comunicação Canina (parte 2)

 Ficar empinado, com membros rígidos, movimento lento à frente e em curva, com as orelhas dobradas para trás: ritual de estudos dos contendores durante o desafio pela liderança. Normalmente um se movimenta em direção à cauda do outro.


Ficar empinado, corpo levemente inclinado à frente e orelhas dobradas para trás: o combate é iminente.


Ficar imóvel, olhar fixo num ponto (presa), com a frente levemente mais baixa e orelhas dobradas para trás - ritual de caça - está pronto para dar o bote e atacar.
Arrepiar os pêlos na cernelha (ombros) e garupa - o cão está com muito medo. Sua reação vai depender diretamente do nível de coragem para enfrentar esse medo. Ele poderá partir para o enfrentamento, baixar a cabeça e render-se ou fugir. 

Deitar sobre o dorso e dormir de barriga para cima (decúbito dorsal) - revela segurança, tranqüilidade, paz e confiança nas pessoas e no ambiente em que se encontra. Veja:

Minnie dormindo.

Deitar enrolado sobre si mesmo como se estivesse tentando abraçar a cauda e as patas - o cão está com frio, procurando aquecer as extremidades. Veja:


Minnie tentando dormir no inverno. 


Deitar de bruços com a barriga totalmente encostada no solo, todo esticado e com as patas para trás (decúbito ventral) - o cão está com calor, procurando refrescar a barriga. Veja:
Minnie esticaaaaaaada.

Rodar em torno de si próprio e olhar para o solo - ritual atávico antes de defecar ou para deitar-se. Na floresta o lobo precisava rodar para amassar o mato antes de defecar, evitando assim que um galho ou fiapo de capim o incomodasse no momento supremo. O cão está, instintivamente, amassando o mato para afofa-lo (mesmo em piso de cimento) para deitar-se ou para evitar o fiapo de capim.
Abaixar a frente, com as patas anteriores estendidas, garupa para cima e a cabeça próxima ao solo  - convite à brincadeira, com esse gesto o cão parece dizer - você não me pegaaaaa. Qualquer movimento do outro cão ou pessoa ele sai em disparada dando voltas em torno como se desafiasse você a pegá-lo... seu cão está querendo que você corra atrás dele. Muitas vezes essa atitude é confundida com falta de respeito e muitos cães apanham por querer brincar.
Lamber o focinho do outro cão - é um ritual de submissão. Quer dizer, mais ou menos: deixa disso amigo, vim em paz não quero brigas...

Cheirar a genitália do outro cão - é um ritual de conhecimento, através do cheiro do sexo eles sabem se devem ou não prosseguir com a disputa da liderança ou, se o outro permitir, funciona como uma apresentação. 
Virar de barriga para cima - ritual ativo de submissão e liderança. Oferecer o ventre é o mesmo que se render. Aceita o outro como líder sem discutir.
Minnie no colo do Gui.

Colocar a pata no pescoço do outro cão - é um gesto de assunção de liderança, desafio. Se o outro aceitar reconhece a sua superioridade. Se não aceitar haverá a disputa. 

Colocar seu queixo sobre o pescoço do outro cão - tem a mesma conotação de colocar a pata no pescoço.

Montar sobre outro cão de mesmo sexo - dentro dos rituais de submissão e apaziguamento é o mais importante e mais definitivo. Se o outro permitir é considerado submisso. Caso contrário haverá uma disputa da liderança.

Urinar sobre a urina do outro cão -
 é a forma que um cão tem de desafiar a supremacia do adversário. 

Deitar de lado e abrir as pernas exibindo o ventre -
 submissão e apaziguamento. O cão está tentando pacificar os ânimos revelando que não deseja lutar.

Minnie de ladinho.

Colocar a cabeça ou a pata sobre o pescoço ou dorso de outro cão - ritual de submissão. Trata-se de uma espécie de teste. Se o outro cão permitir ele será o dominador. Se não permitir, ele pode desistir ou partir para a luta corporal.

Abaixar a cabeça e lamber de baixo para cima, insistentemente, o focinho de outro cão - 
ritual de submissão e apaziguamento. É um pedido de desculpas, de trégua, de arrego.


Fonte(clica).

Comunicação Canina

Lamber - É o gesto canino comparável ao nosso beijo. Revela o nível de afeto que o cão lhe dedica e também o reconhecimento de alguma atitude sua. Agradecimento.

Cutucar com o focinho - essa atitude revela uma tentativa de conseguir sua atenção, um pedido de afago na cabeça ou uma boa coçada nas costas ou no peito. A cutucada com a patinha tem quase a mesma conotação. É uma das formas de comunicação mais semelhantes à nossa cutucada.


Cutucar com as patas - normalmente de duas em duas. Pode ser na nossa perna, ou se estivermos deitados, em qualquer lugar. Os cães, com esse gesto, estão quase que exigindo nossa atenção. Se essa cutucada for na porta, tem a mesma conotação da nossa batida na porta: permissão para entrar ou sair.

 Levantar a patinha para urinar - todo mundo pensa que é sinal de masculinidade, de passagem para a puberdade. Na realidade, só o macho levanta a patinha para urinar em razão de própria estrutura anatômica. Se não levantasse a patinha o macho urinaria nas próprias patas anteriores, como o faz o bode, razão do seu cheiro. Os cães procuram uma árvore para servir de anteparo para que a urina escorra sem molhar suas patas anteriores e, para conseguir urinar na árvore têm que levantar a patinha. As fêmeas não precisam disso, pois se abaixam para urinar, quase encostando os pêlos da ponta da vagina no solo. Esses pêlos conduzem o líquido, impedindo que espirre.

Cheirar um determinado local e, em seguida, esfregar o focinho e a cabeça nele - comportamento atávico de defesa contra picadas de insetos. O cão está tentando transferir o cheiro, normalmente ruim, para si objetivando sua proteção. É bom esclarecer que o cão não tem consciência da finalidade deste comportamento, mas sente uma necessidade incontrolável em faze-lo.


Deitar-se na lama e lambrecar-se como se fosse um porco - comportamento atávico de proteção contra grandes felinos. Uma técnica usada pelos afghan-hounds para realizar o combate contra tigres e leões. Depois que seca, a lama mesclada aos pêlos se transforma numa carcaça impenetrável pelas unhas das garras dos felinos. Outras raças herdaram esse comportamento.  

Cavar buracos para deitar-se dentro - o cão está com calor e cava para encontrar uma camada de terra mais fresca
.
Cavar buracos para enterrar um osso - é um processo duplo: 1. esconder o osso dos outros para come-lo, tranqüilamente, mais tarde. 2. promover a maturação da carne nele contida. (Na França, costuma-se enterrar bifes por uma semana para que fiquem maturados para depois servi-los)


Cavar buracos para enterrar as fezes - este gesto atávico, alguns autores sugerem ser uma medida higiênica e de proteção, outros sugerem fazer parte do equilíbrio da natureza - fezes enterradas fertilizam o solo. (particularmente, acho mais provável que cães escondam suas fezes para não serem identificados por seus predadores)

Mordiscar - é um ato afetivo, carinhoso. Os cães gostam de brincar com nossas mãos. Eles têm um fascínio especial por elas. Os cães não têm mãos. Eles pegam e manejam as coisas com a boca, assim o ato de mordiscar sem machucar é um gesto de carinho.

Minnie brincando com o Gui.

Enfiar sua cabeça sob a mão do dono - está pedindo carinho. Este gesto é muito comum e quase todo dono de cachorro já teve essa experiência.

Colocar a pata sobre a perna do dono -
 está pedindo um pouco de atenção. Ele pode estar querendo comunicar-se..., pedir alguma outra coisa, ir na rua, beber água, fome etc.

Sentar-se com uma das patas anteriores levemente levantada -
 esse gesto é típico de quem está querendo se comunicar. Está tentando dizer que quer que você pare com o que estiver fazendo porque está inseguro.

Urinar: Gesto carregado de significados outros além daquele da simples necessidade fisiológica. Urinando, o cão pode estar marcando seu território, desafiando um adversário, deixando seu rastro para as fêmeas ou expressando seu desprezo.
Os machos urinam para demarcar seus limites, como nós fazemos quando riscamos uma linha no chão ou colocamos uma cerca, um muro.
Urinam, também, sobre a urina de outros machos para desafiá-los e para sobrepor seu odor ao deles. Urinam sobre a urina de fêmeas para convidá-las ao jogo. Às vezes urinam até sobre outro cão para mostrar superioridade hierárquica e desprezo.
Já vimos cães urinarem sobre de seus próprios donos por prazer e por desafio.

Defecar - além das necessidades fisiológicas, as fezes têm uma conotação de desaforo, má criação e pirraça (ética humana).
Há cães que ficam tão aborrecidos por seus donos terem saído sem levá-los que defecam sobre a cama do casal.

 
(Continua)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dicionário Canino

Muitas vezes usamos palavras do dicionário humano para descrever comportamentos caninos. Mas, na verdade, os cães tem seu próprio dicionário, que muitas vezes é desconhecido por seus donos. Temos o costume de humanizar os cães, transferindo valores humanos á existência do cão. Alguns exemplos e o que eles significam para o cão:



Compaixão

Dicionário Humano – Compaixão (do latim compassione) pode ser descrita como uma compreensão do estado emocional de outrem; não deve ser confundida com empatia. A compaixão frequentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem.



Dicionário (sinônimo) Canino: Fraqueza - Sentimentos que demonstram demasiada caridade são projeções de fraqueza, pois no mundo canino prevalece a imagem do mais forte. Se aquele que se projeta como "líder" demonstra medo através de vocalizações que inferem a conivência com o medo do subordinado, este está agravando o estado inseguro do seguidor.


Ciúme


Dicionários Humano - Ciúme é uma reação complexa, envolve um largo conjunto de emoções, pensamentos, reações físicas e comportamentos: 

Emoções: Dor, raiva, inveja, medo, depressão e humilhação.
Pensamentos: Ressentimento, culpa, comparação com o rival, preocupação com a imagem, autocomiseração.
Reações físicas: Taquicardia, falta de ar, excesso de salivação ou boca seca, sudorese, aperto no peito, dores físicas.
Comportamentos: Questionamento constante, busca frenética de confirmações de ações agressivas, mesmo violentas.

Dicionário (sinônimo) Canino: Controle (eu prefiro traduzir ciúme como posse) – O comportamento que se apresenta para o dono como sendo uma atitude de defesa ou proteção, é na realidade um ato de controle do animal do próprio dono. Pois ao evitar de alguma maneira, seja pacificamente seja agressivamente, o contato do seu dono com outra pessoa, objeto ou animal, está evitando que a interação ocorra. (Eu costumo dizer que o cachorro com esse comportamento se considera o legítimo proprietário de determinada pessoa, objeto ou animal, ou seja, ele acredita que detém a posse dessa pessoa, objeto ou animal).


Saudade


Dicionário Humano: Saudade - memória ou recordação de pessoas, familiares ou objetos; sentimento experimentado entre duas pessoas que estão distantes, ou que ficam muito tempo sem se ver; lembrança; lembrança de pessoas ou coisas distantes ou não mais existentes, acompanhada da vontade de tornar a vê-las ou possuí-las.

Dicionário (sinônimo) Canino: Incerteza - Quando uma pessoa ou mesmo animal deixa de estar presente, não é incomum que o cão da casa demonstra sinais de depressão, deixando de comer ou ficando apático. Os cães sabem, porquê assim veem o seu mundo, que uma matilha há segurança em números. Quando um membro se ausenta o bem do grupo está prejudicado, como sobreviver agora com a ausência? Um cão não percebe que o dono, por exemplo, voltará no fim do dia, pensa que será para sempre, e fica muitas vezes desesperado até atingir um nível de depressão. 



Dennis Martin
Analista Comportamental de Cães
Membro do British Institute of Professional Dog Trainers – Inglaterra - www.dennismartin.com.br