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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Treinador conversando com seu cão

Este texto é uma tradução de um texto escrito pelo Dr Ian Dunbar.

Ian Dunbar: Porque é que os cães se portam mal?
Rex (Pastor Alemão): Quem disse que nos portamos mal? Nós consideramos que o nosso comportamento é bastante exemplar.

ID: Ok. Nós, pessoas, achamos que os cães se portam mal. Vamos ser mais objectivos então e perguntar porque é que os cães: perseguem; escavam; roem; rosnam; mordem e ladram?
R: Porque somos cães, suponho. Certamente ficaria surpreendido se voássemos, fizessemos as palavras cruzadas, guardássemos os ossos no frigorifico, mugíssemos, miassemos e contratassemos um advogado para processar os nossos inimigos.

ID: Ok, ok! Tudo bem, todas as atividades dos cães são perfeitamente normais e necessárias para o natural repertório canino. Então não são tanto os comportamentos que são anormais em si mesmos mas antes inapropriados em ambiente doméstico.
R: Bem, sim e não. Julgo que depende da sua perspectiva. Nós, cães, não consideramos necessariamente o nosso comportamento inapropriado. Pelo contrário, um Yorkshire amigo meu considera tapetes o mais avançado que existe em casa de banho, o lugar perfeito para urinar em toda a casa. Não se fica com as patas molhadas quando se urina em tapetes. Um velho Jack Russel admite abertamente que terra acabada de fertilizar e revolver oferece as melhores condições para escavações, considerando a delicadeza das suas patas devido aos muitos anos de vida doméstica.

ID: Então corrige-me se estiver errado. O que estás a dizer é que o comportamento dos cães é perfeitamente normal e natural...
R: E necessário!

ID: ...e necessário no estado selvagem...
R: E no ambiente doméstico!

ID: ...e no ambiente doméstico.
R: Então a solução está no dono, que tem de providenciar e indicar as formas possiveis, em mutuo acordo, para as necessárias atividades caninas, caso contrário...

ID: "Caso contrário"?
R: ...caso contrário nós somos forçados a improvisar na nossa busca por uma terapia ocupacional para passar o dia.

ID: E erram na escolha. Certo?
R: Certo! E depois somos castigados por quebrar regras que nós nem sabíamos que existiam.

ID: Isso não é justo.
R: Bem, não nos deixa nada contentes. (Como raça de guarda os Pastores Alemães por vezes poderão ladrar muito e morder)

ID: Hmmmm! Já tentaram explicar aos vossos donos que não sabem que estão a fazer mal?
 R: Claro, sempre que eles chegam a casa.

ID: E o que é que acontece?
R: Eles castigam-nos quando corremos para os receber à porta de casa.

ID: Se calhar eles não gostam da vossa maluquice, de colocarem as patas em cima deles, de lambidelas ou de saltarem. Porque é que não se sentam...
R: Isso é uma boa ideia! Nunca tinha pensado nisso... Mas eles adoram a nossa atenção e euforia quando somos filhotes, nós apenas crescemos.

ID: O que quis dizer foi, porque é que não se sentam e conversam isso com eles?
R: Ah, eles nunca ouvem. Sempre que nos sentamos eles apenas dizem "junto, senta, junto, senta..." e depois de andar à volta em quadrados voltamos onde começamos. Parece tudo sem sentido.

ID: Já tentaram fazer o que o vosso dono manda?
R: Já. Mas é pior quando somos obedientes. Quando falhamos depois qualquer coisa, assumem que estamos a ser mal comportados de propósito e castigam-nos ainda com mais severidade.

ID: Nunca ficam zangados?
R: Se ficamos zangados, eles nos matam.

Treino positivo por Pat Miller

Retirado de "The power of Positive Dog Training" por Pat Miller.

Quando você usa métodos positivos para treinar o seu cão, constrói uma relação completamente diferente da que se forma com os ditos métodos tradicionais, é um laço baseado na cooperação e na confiança em vez do medo e coerção. A meta do treino por reforço positivo é o desenvolvimento do potencial de aprendizagem do cão. Você encoraja-o a solucionar problemas e ajuda-o a controlar os seus próprios comportamentos. Você também o encoraja a oferecer comportamentos e a descobrir quais são bem sucedidos. O treino positivo abre a mente do cão. Com o treino moderno você cria um parceiro alegre e auto-confiante que quase se treina a ele próprio e procura avidamente oportunidades para receber um reforço. Se é isto que pretende então bem-vindo ao treino positivo!

O treino positivo uma mudança de mentalidade radical para a maioria dos donos de cães. Mesmo que nunca tenha pensado em treinar o seu cão usando a dor a nossa cultura tem estado imersa numa filosofia onde é exigido que dominemos os nossos cães.

Quando você muda a forma como fala acerca de cães, de um vocabulário com termos baseados na punição e coerção para um positivo, ajuda-o a mudar a forma como pensa. Os cães não são maus, eles apenas cometem erros.

Quando o seu cão comete um erro, em vez de dizer “NÃO!”, diga “Oops” ou “Azar” e depois mostre-lhe a forma correcta de fazer as coisas. Quando um dos meus clientes diz “Mas ela sabe que não pode estar no sofá. Quando eu entro na sala ela slata para o chão e fica com ar de culpada”, eu respondo que se ela soubesse que não suposto estar no sofá ela não o faria. O que ela sabe é que estar no sofá é muito reforçante porque é confortável. Mas a consequência de estar no sofá na sua presença é que você fica irritado. Na melhor das hipóteses aprende que não pode estar no sofá na sua presença. Então quando você entra na sala salta para o chão e tenta apaziguar a sua irritação com sinais corporais de submissão. Para o cão é uma situação completamente diferente de estar no sofá na sua ausência.

Um dos benefícios de mudar de perspectiva em relação aos comportamentos do seu cão é que fica menos vezes zangado. Em vez de culpar o cão pelos seus erros, toma a consciência que o cão está apenas a ser cão. Os cães gostam de estar confortáveis no sofá, muito melhor que o chão. Quer manter o cão fora do sofá? Dê-lhe uma cama própria tão confortável ou mais que o sofá. Recompense-o por dormir nela. Previna o acesso ao sofá quando não está presente impedindo o acesso à sala ou colocando caixas em cima do sofá. Quer manter o cão afastado do balde do lixo? Não ponha os restos do peru no balde. Feche bem o balde de forma a que não possa abri-lo. Previna o acesso ao balde do lixo quando não está presente colocando-o num sitio onde o cão não tenha acesso ao mesmo. O treino positivo gira em torno de soluções simples e inteligentes. Só tem de se lembrar de ser a espécie mais inteligente. Treine com o seu cérebro.

sábado, 24 de setembro de 2011

Pesquisa de agressividade canina

Qual a raça mais feroz? Pensou em pit bull ou rottweiller certo? Então errou. De acordo com uma pesquisa feita pela publicação científica Applied Animal Behavior Science, e divulgada pela BBC, o cão mais feroz do mundo é o dachshund, mais conhecido como "cão salsicha".O levantamento, feito com 6 mil donos de 30 raças de cães direfentes, constatou que as raças com mais tendência a atacar humanos são dachshund e chihuahua. Já os cachorros menos agressivos são os das raças golden retrievers, labradores, são bernardos, britanny spaniels e greyhounds.

As raças mais temidas, comos os pitt bulls e rottweillers, ficaram na média de agressividade canina contra estranhos. A má fama destas raças se dá ao fato de os ataques destes cães causam ferimentos mais graves, dizem os especialistas.E apesar de toda imponência das raças maiores, os pequenos cães costumam ser os mais agressivos.O que diferencia a pesquisa publicada pela Applied Animal Behavior Science das demais, é que ela não associa a agressividade canina necessariamente à mordida, informou a BBC.


Confira as dez raças mais ferozes:

1. Dachshund
2. Chihuahua
3. Jack Russell terrier
4. Akita
5. Pastor australiano
6. Pit bull
7. Beagle
8. Springer spaniel inglês
9. Border collie
10. Pastor alemão

Fonte: Applied Animal Behavior Science



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10 Maneiras de ajudar cães e gatos

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cesar Millan - Toda a verdade

Post copiado na íntegra daqui(clica). 



A National Geographic submeteu ao Dr. Andrew 4 cassetes do programa "O encantador de cães" antes deste ir para o ar, para que fosse analisado e eles tivessem uma opinião acerca do mesmo. Está aqui a carta escrita pelo conceituado veterinário à National Geographic que como todos sabemos foi ignorada. O texto foi retirado na íntegradaqui!

Por Andrew Luescher, DVM, Veterinário especialista em Comportamento Canino
Clínica de Comportamento Animal
Universidade de Purdue
Eu revi as 4 cassetes enviadas para mim pela National Geographic. Agradeço a oportunidade de poder visioná-las antes do programa ser transmitido na televisão. Eu terei muito prazer em rever quaisquer programas que lidem com comportamento de animais domésticos e acredito que esta é uma das responsabilidades da nossa profissão.

Eu estou envolvido na formação contínua de treinadores de cães nos últimos 10 anos, primeiramente através do programa universitário “Como os cães aprendem” na Universidade de Guelph (Colégio Veterinário de Ontário) e posteriormente através do curso DOGS! na Universidade de Purdue. Como tal, estou bem ciente onde se situa o treino canino hoje em dia, e devo dizer que as técnicas usadas por Millan são ultrapassadas e inaceitáveis não só para a comunidade veterinária, mas também para muitos treinadores de cães. A primeira questão no que toca às cassetes enviadas que eu coloco é: O programa repetidamente avisa as pessoas para não tentarem aquelas técnicas em casa. Então qual é o porpósito deste show? Penso que temos que ser realistas: as pessoas vão tentar estas técnicas em casa, infelizmente para detrimento do seus animais.

As técnicas de Millan são quase exclusivamente baseadas em duas técnicas apenas. “Flooding” e castigo positivo. No “flooding” o animal é exposto ao estímuloa que lhe causam medo (ou agressão) e impedido de evitar e sair da situação, até que pare de ter uma reacção. Para usar um exemplo humano: aracnofobia, sera tratada, fechando um indivíduo num armário, libertando centenas de aranhas lá dentro e mantendo a porta fechada até que a pessoa parasse de reagir. A pessoa talvez se curasse com tal método, mas poderá também ficar severamente perturbada e terá sofrido uma grande quantidade de stress. “Flooding” tem, como tal, desde sempre sido considerado um método de tratamento cruel e que incorre muitos riscos.

Castigo positivo refere-se à aplicação de um estímulo aversivo ou correcção como consequência de um comportamento. Existem muitas preocupações acerca do uso do castigo, que vão para além do próprio desconforto do mesmo.

Castigos são extremamente inapropriados para o tratamento da maioria de agressões e para o tratamento de qualquer comportamento que involva ansiedade. O castigo pode suprimir a maioria do comportamento, mas não resolve o problema que o originou, isto é, o medo ou a ansiedade. Mesmo em casos onde a aplicação do castigo é correcta, esta pode ser considerada inapropriada, muitas são as condições que têm que ser reunidas para que isto aconteceça, e que a maioria dos donos de cães não conseguem fazer. O castigo deverá ser aplicado cada vez que o comportamento é demonstrado, dentro de meio segundo do comportamento ser demonstrado e à intensidade correcta.

A maioria das explicações teóricas que Millan fornece como causas para os problemas comportamentais estão erradas. Nem um único destes cães tem um problema de dominância. Nem um só destes cães queria controlar a família. A única coisa na qual ele tem razão é que calma e consistência são extremamente importantes, mas estes factores não justificam os métodos presentemente usados por ele como apropriados ou justificáveis.


O último episódio (problema obsessivo compulsivo) é particularmente preocupante, porque este problema está directamente relacionado com um desiquilíbrio nos níveis e receptores neurotransmissores e é como tal uma condição médica. Seria apropriado tratar uma pessoa com um problema de obsessão-compulsiva através de castigos? Ou ter um leigo a tratar tais casos?

Eu e os meus colegas e um sem número de líderes na comunidade de treino canino temos trabalhado durante anos para eliminar precisamente tal crueldade, ineficácia (em termos de cura) e técnicas inapropriadas como as apresentadas neste programa